domingo, 3 de junho de 2012

Gatos

Hoje as damas não dormem, dançam, dançam, pra lá da temperança, apreciam o movimento, o gotejar do suspiro artístico.
As damas não dormem, já não por falta de sono, mas há gatos, gatos no telhado, gatos, telhados e gatos.
Por toda a parte.
Gritam, chacoalham e se inebriam da noite, e os telhados farfalham, rangem, reclamam, gesticulam,
Mas há gatos, gatos por toda parte, não sobra pedaço.
Damas choram, gritam, lamuriam-se.
Gatos ébrios dançam, apertam-se e dançam por toda a parte.
Falta mundo, falta folego, sobra gato, gatuno.
Descem os acordes, dissonâncias completas, cantos feridos dessa incerteza total do pós.
Gatos modernos, falastrões.
Hoje as damas não dormem,
Não por falta de sono.

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