quarta-feira, 13 de junho de 2012

Gota

Diletantes amigos, alertai-vos-ei do completo engodo em que viveis:
Na era da completa escuridão,
Qualquer babaca com um palito de fósforo aceso,
Se acha a estrela candente do universo.

Parvos uni-vos.

Dá paciência, nem gota sobra.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Carro

Passa o trem, e eu aqui no aeroporto aguardando o ônibus. Depois de horas a fio esperando, eu começo a desconfiar que existe, muito remotamente, a possibilidade de que aqui não seja aqui.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pombo

Inexorável, marcar às horas nas águas, montar edifício sólido, na lama,
Tempo, deu adeus ao Tempo, estava sem Tempo.
Liquefez , derreteu-se ao mando do Dono, bebe-se todo,
Um só gole,
Sólido,
Restou quireras aos pombos.
Grrrrrrrou grou grou.


domingo, 3 de junho de 2012

Dono

O chá gela no fogão, as compras apodrecem no armário, a geladeira perambula sozinha por entre os comodos,
Ruídos de agitação, infâmias, cordéis, povo, cheiro de antigo, tudo escorre da tela televisiva e dá o tom para a casa, vida, o que quer que seja, e dos objetos pergunto:
E o dono?
Que dono?

Gatos

Hoje as damas não dormem, dançam, dançam, pra lá da temperança, apreciam o movimento, o gotejar do suspiro artístico.
As damas não dormem, já não por falta de sono, mas há gatos, gatos no telhado, gatos, telhados e gatos.
Por toda a parte.
Gritam, chacoalham e se inebriam da noite, e os telhados farfalham, rangem, reclamam, gesticulam,
Mas há gatos, gatos por toda parte, não sobra pedaço.
Damas choram, gritam, lamuriam-se.
Gatos ébrios dançam, apertam-se e dançam por toda a parte.
Falta mundo, falta folego, sobra gato, gatuno.
Descem os acordes, dissonâncias completas, cantos feridos dessa incerteza total do pós.
Gatos modernos, falastrões.
Hoje as damas não dormem,
Não por falta de sono.