quarta-feira, 14 de março de 2012

Tostão

O tostão furado voava por entre as árvores, caiu defronte ao jovem médico, o pequeno em sua alegria pueril pensou consigo -Ganhei o dia, talvez o mês, com esse tostão sou momentaneamente burguês.
Continuou caminhando pela rua com o tostão à tira colo, já encontrava no novo amigo mil e uma utilidades, tinha tanto o que fazer com o dinheiro que lhe fora dado de presente, não por um homem qualquer, mas pelo próprio destino, talvez não encarnado, mas metafisicamente falando, tão presente.
Não faltava-lhe ideias, das mais variadas formas e cores, tudo propiciado pelo monocromático tom azul da nota.
À um passo de uma esquina se deparou com um jovem, gorro na cabeça, olhos cansados, rosto endurecido, e com valor tão invertido, tirou algo metálico do bolso, uma faca, talvez um estilete, ninguém pode provar, pediu ao pequeno médico que lhe desse a nota sem mais delongas, o pequeno parvo, iludido pelo pai das ilusões recusou.
A primeira facada perfurou-lhe o estomago, a segunda a terceira e a quarta foram desferidas aleatóriamente, o jovem caiu, e o tostão foi parar na mão do outro jovem, trocando de lealdade como quem muda de roupa.
O sangue quente escorria pela calçada, gotejava pequenas lastimas de um destino esvaido, e todo fluído que escorria era azul, da cor do tostão.

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