sábado, 17 de março de 2012

Aarte

Toda Arte é válida,
Repetindo, Toda Arte é válida.

Toda Arte, com A maiúsculo, não arte, qualquer.
Antes de validar algo de sua criação,

Veja se é Arte ou arte.

Sono

A arte vem adormecendo há um longo tempo,
Deu seu último bocejo no movimento modernista.

Dorme agora o sono dos ímpios,
Deixando para trás tanto que poderia ser feito no presente.

A sonolenta nos abandonou, e no momento estamos tão
Desnudos de nós mesmos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tostão

O tostão furado voava por entre as árvores, caiu defronte ao jovem médico, o pequeno em sua alegria pueril pensou consigo -Ganhei o dia, talvez o mês, com esse tostão sou momentaneamente burguês.
Continuou caminhando pela rua com o tostão à tira colo, já encontrava no novo amigo mil e uma utilidades, tinha tanto o que fazer com o dinheiro que lhe fora dado de presente, não por um homem qualquer, mas pelo próprio destino, talvez não encarnado, mas metafisicamente falando, tão presente.
Não faltava-lhe ideias, das mais variadas formas e cores, tudo propiciado pelo monocromático tom azul da nota.
À um passo de uma esquina se deparou com um jovem, gorro na cabeça, olhos cansados, rosto endurecido, e com valor tão invertido, tirou algo metálico do bolso, uma faca, talvez um estilete, ninguém pode provar, pediu ao pequeno médico que lhe desse a nota sem mais delongas, o pequeno parvo, iludido pelo pai das ilusões recusou.
A primeira facada perfurou-lhe o estomago, a segunda a terceira e a quarta foram desferidas aleatóriamente, o jovem caiu, e o tostão foi parar na mão do outro jovem, trocando de lealdade como quem muda de roupa.
O sangue quente escorria pela calçada, gotejava pequenas lastimas de um destino esvaido, e todo fluído que escorria era azul, da cor do tostão.

terça-feira, 13 de março de 2012

Carinho.

Sopra vento.

Traz consigo meu alento,

Tão lento.

Meu pobre vento.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Opinião

Compreender a opinião alheia,

Parece-me um exercício de extrema falsidade.

Ter tanto à dizer, e calar-se por respeito ingênuo.

Fecho os olhos para esse mundo, e abro além.

Calo aqui, para  gritar no céu das letras.

Ensurdeço, para não virar um mentecapto qualquer.