sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Caminhos

Sentado em uma cadeira de área vazia,
Entorpecido em pensamentos e sandices.
Achegou-se à mim dois senhores, no ápice
Da sandice
O primeiro, tão bem trajado, cabelos cortados,
Terno alinhado, e sapatos engraxados, sóbrio como
Cônego histérico, com o andar todo certo.
O segundo, todo rasgado, pintado, torto, e com voz embargada
De quem não sabe se canta, se lamenta, se vive, se morre.
Tão ébrio como se pode ser, tortuoso.
Passou o primeiro sem dizer palavra e continuou o caminho,
Achegou-se o segundo e disse-me ao pé do ouvido:
 -Coitado, nunca vi sóbrio andar mais errado, acerta os passos e erra o caminho.
E a Humanidade continuou andando, tão bem trajada, sem saber pra onde, num ritmo tão enérgico.
E a Arte foi-se embora, tão maltrapilha, ébria,
Por caminho tão diferente.
Mas ambas com promessas de não se cruzarem,
Mas quem sabe,
Promessas são quebradas.

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