sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Degrau

Venha comigo, suba as escadarias, aqui em cima o céu é mais azul, o ar mais puro, e as ideias, a essas ideias, tão mais abundantes.

Caminhos

Sentado em uma cadeira de área vazia,
Entorpecido em pensamentos e sandices.
Achegou-se à mim dois senhores, no ápice
Da sandice
O primeiro, tão bem trajado, cabelos cortados,
Terno alinhado, e sapatos engraxados, sóbrio como
Cônego histérico, com o andar todo certo.
O segundo, todo rasgado, pintado, torto, e com voz embargada
De quem não sabe se canta, se lamenta, se vive, se morre.
Tão ébrio como se pode ser, tortuoso.
Passou o primeiro sem dizer palavra e continuou o caminho,
Achegou-se o segundo e disse-me ao pé do ouvido:
 -Coitado, nunca vi sóbrio andar mais errado, acerta os passos e erra o caminho.
E a Humanidade continuou andando, tão bem trajada, sem saber pra onde, num ritmo tão enérgico.
E a Arte foi-se embora, tão maltrapilha, ébria,
Por caminho tão diferente.
Mas ambas com promessas de não se cruzarem,
Mas quem sabe,
Promessas são quebradas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Crônica ou Poema.

Pequeno parvo, enfadado de si mesmo.
Desceu-lhe à fronte uma ideia cristalina, moldada talvez em creta,
Não se sabe bem se no nascer das musas, no deitar austero da morte, não se sabe o tempo.
E pouco importa.
Ideia frágil, incólume, tão cheia de si que lhe transbordava falas, mesmo que no silêncio das cinzas.
Pequeno como era a ideia logo o dominou, decidiu-se  então mudar-se para longe de si, em algum lugar longínquo, onde Morfeu traz a noite.
E consigo a paz.
Encontrou campos elísios onde sopravam ventos alísios, era uma fluidez de cinzas em contrastes à outros cinzas.
Ao contrário do que pensam, cinza não é a cor da morbidez, é muito mais a paz, vida, e calmaria.
Havia no céu da nova terra o vermelho rúbeo, vinho derramado por Dionísio.
Toda a extensão da terra era dele, do pequeno parvo, logo deu-se conta disso, passou a cuidar da mesma.
Ara-la, rega-la, e dar o seu tom para nova terra.
E percebeu-se que a cada novo trabalho, se sujava um pouco com a terra do lugar, um no outro.
Novos tons nasceram, crescendo o colorido de cores seletas.
Percebeu-se então egocentrado, não mais em si mesmo, mas em outrem, na terra.
Surgiram lagos, secaram árvores, lugares se modificaram, e a cada transformação da terra o pequeno também mudava.
Tornou-se parte do acorde maior daquela composição tão desejada, três notas: o pequeno, o amor e a terra.

  

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Padre

Padre tenro, da paróquia de muitas dores.
Filho, as vezes espirito santo, mas nunca pai.
Viu-se entrelaçado entre ofício ou amores.
Confusão que lhe trazia desejo, mas ele dizia: sai.

Arte, violência, carisma e diferença.
Arvore de galhos, sem atalhos.
Ataram-no na forma e deram-lhe na orla.

Uma difícil decisão, entre ofício ou amores
Desejos ou dores.