sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Como veio a mente, desceu ao coração.

A contemporaneidade não cansa de me impressionar, principalmente no que diz respeito aos valores, e quando digo "valores" não me confunda com um moralista barato do século XX, muito pelo contrário, esses "valores" que eu cito não são simples ensinamentos morais e éticos próprios da nossa sociedade ocidental. São valores aquém ao ser humano, e não além, são valores que (deveriam) se mostram intrínsecos ao humano. Valores no sentido de dar valor, entender o significado e ainda mais, compreende-lo. Os valores invertidos são a causa da alienação dos homens, compra-se hoje um produto pelo rótulo, não importa o que vem dentro, não importa nem se vem algo dentro, mas o rótulo é bom, e quando digo produto espero que você entenda, é tanto uma denotação como uma conotação, é um diálogo entre o subjetivo e o objetivo.
Me chama a atenção o fato de que nesse mundo o simples se confunde com o medíocre, a carência do homem quanto a arte é explícita: joga-se uma lata de tinta na tela e pronto é artes-plásticas, junta-se três acordes à uma letra sem conteúdo, fez-se música, escreve-se suas experiências pessoais tão insossas, best-seller, coloque efeitos especiais novos e um roteiro velho, filme da mais qualidade.
Impressiona essas inversões de valores, em um mundo onde estamos conectados à todos 24 horas por dia e ao mesmo tempo estamos tão distantes, digitamos por horas a fio, mas esquecemos o valor de um diálogo, o complexo tornou-se obsoleto, o artístico e o real foi sobrepujado pelo artificial e pelo banal. Onde ser é tão pouco comparado à ter.
As inversões não param, a tecnologia criado pelo homem ganhou tamanha autonomia que a criação tornou-se autônoma e agora controla o criador, é tanto entretenimento, e tão pouca cultura, é tanto saber na rede, e tão pouco em nossas cabeças.
Em um mundo onde relações são descartáveis como celulares e o amor vende-se na esquina, em meio a essa caótica falta de sensibilidade em que me vejo inserido, em meio a tamanha velocidade que progredimos (para onde não se sabe).
Tão insensíveis como nos permitem, nosso riso vulgarizou-se, nosso choro individualizou-se.
Nosso mundo está tão cheio de informação, que esquecemos a maior lição, a de sermos humanos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário