sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Poeta.

Bom meus caros, ser poeta é muito mais do que apenas escrever,

É escolher, ou ser escolhido, para um tipo de vida atípica,

Onde partilha-se de um mundo diferente dentro desse mesmo mundo.

Não se ouve como os outros, não se sente como qualquer um.

E por vezes é preferível ser como qualquer um.

Sofre-se mais, por que sente-se mais, é tudo à flor da pele.

É olhar com outros olhos, é perceber o imperceptível.

Dentro de nossas mentes brotam idéias livres e abstratas.

Palavras soltas e desconexas dançam ao nosso redor.

Por vezes as organizamos e por outras as fazemos dançar ainda mais.

Com ritmo, sem ritmo, depende do poeta, e só dele.

Ser poeta é ter no coração universos inteiros de sentimentos.

Flor de concreto

Nasceu a mais bela flor,

Em meio a selva de vidro,

Ao som das sinfonias urbanas.

Brotou lentamente em contraste à rapidez da sociedade.

No meio do caos, dito organizado, ela se erguia.

Cinza como o céu de outono,

Cinza como os cidadãos da metrópole.

Era bela, faltava-lhe cor, talvez também pulso.

Também era seca e dura.

Mas sua estética perfeita,

Tão bela quanto se pode imaginar.

Faltava-lhe apenas vida.

Era a mais bela das flores.

Mas era de concreto.

Como veio a mente, desceu ao coração.

A contemporaneidade não cansa de me impressionar, principalmente no que diz respeito aos valores, e quando digo "valores" não me confunda com um moralista barato do século XX, muito pelo contrário, esses "valores" que eu cito não são simples ensinamentos morais e éticos próprios da nossa sociedade ocidental. São valores aquém ao ser humano, e não além, são valores que (deveriam) se mostram intrínsecos ao humano. Valores no sentido de dar valor, entender o significado e ainda mais, compreende-lo. Os valores invertidos são a causa da alienação dos homens, compra-se hoje um produto pelo rótulo, não importa o que vem dentro, não importa nem se vem algo dentro, mas o rótulo é bom, e quando digo produto espero que você entenda, é tanto uma denotação como uma conotação, é um diálogo entre o subjetivo e o objetivo.
Me chama a atenção o fato de que nesse mundo o simples se confunde com o medíocre, a carência do homem quanto a arte é explícita: joga-se uma lata de tinta na tela e pronto é artes-plásticas, junta-se três acordes à uma letra sem conteúdo, fez-se música, escreve-se suas experiências pessoais tão insossas, best-seller, coloque efeitos especiais novos e um roteiro velho, filme da mais qualidade.
Impressiona essas inversões de valores, em um mundo onde estamos conectados à todos 24 horas por dia e ao mesmo tempo estamos tão distantes, digitamos por horas a fio, mas esquecemos o valor de um diálogo, o complexo tornou-se obsoleto, o artístico e o real foi sobrepujado pelo artificial e pelo banal. Onde ser é tão pouco comparado à ter.
As inversões não param, a tecnologia criado pelo homem ganhou tamanha autonomia que a criação tornou-se autônoma e agora controla o criador, é tanto entretenimento, e tão pouca cultura, é tanto saber na rede, e tão pouco em nossas cabeças.
Em um mundo onde relações são descartáveis como celulares e o amor vende-se na esquina, em meio a essa caótica falta de sensibilidade em que me vejo inserido, em meio a tamanha velocidade que progredimos (para onde não se sabe).
Tão insensíveis como nos permitem, nosso riso vulgarizou-se, nosso choro individualizou-se.
Nosso mundo está tão cheio de informação, que esquecemos a maior lição, a de sermos humanos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Já se foi.

Pálpebras pesadas, alguns suspiros, garganta irritada, boca seca.

Quando o Lorde olha o relógio, já se foram as horas, ficaram só os ponteiros.

Eram restos de um tempo de outrora.

E, já passara meu caro.

Na casaca do Lorde as traças moribundas paralisadas na falta que o tempo fez.

Devagar, as pálpebras se fecham e os sonhos se confundem com a realidade.

E ele dorme, como nunca dormiu.

É um martírio para os sonhadores, viverem acordados, nesse mundo tão real.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Piano

O piano é desafinado, mas o pianista é um virtuose.
De quarto em quarto de sons, tira melodias nunca ouvidas,
Pra lá da arte, pra lá da vida.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Eu

Não sei botar a mão em copo cheio sem fazer transbordar.

Aprendi a gargalhar com os loucos e a chorar com os depressivos.

Sou efusivo, estonteante, introvertido, falastrão e amigo do silêncio.

Sou dono de uma temperança temperada à intemperança.

Não sei amar coisas mornas, ou entender humores amenos.

Aprendi a entender os errados e ouvir os inconsistentes.

Sou desses que não gostam de provar, e sim se fartar.

Sou um beberrão que toma de uma vez, odeio pequenos goles.

Não sei odiar, até pra isso, exacerbo meus sentimentos.

Aprendi que os poucos que me resvalam, levam um pedaço da minha alma consigo.