domingo, 27 de novembro de 2011

Menino de Giz

Todo entardecer era a mesma coisa, o menino descia as escadinhas do seu pequeno apartamento onde morava com os pais, ia até o beco ao lado de sua casa e ficava observando defronte o paredão que lá se encontrava.
Na mesma hora, o menino descia, todos os dias, era metódico, ou melódico? bem não sei, sei que ele ia e vinha, e ficava, sempre à observar o paredão.
Não era dessas paredinhas pequenas, onde se passa uma perna depois outra, pronto, foi-se, era um paredaço, grandiloquente  cheio de tijolos bem sobrepostos, um paredão, feito de sonhos alquebrados.
Em um dia frio, desses de se por casaca, o menino desceu a escada depressa, ficou novamente defronte para o paredão, inspirou longamente, segurou por alguns segundos, e então assoprou, sopro de liberdade, de vontade de ir além, era sopro de quem cansara de ficar ali.
Num instante tudo parou, o vento cessou só para ver o que acontecia, e quando me dei conta, o incrível acontecera, o paredão se desmanchara no ar, era feito de giz, tão bem desenhado, delineado, tão real quanto algo irreal pode ser...

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