domingo, 29 de maio de 2011

Folha.

É folha de outono,

Cor de ferrugem,

Mas aço não é,

Ao menor toque,

Desmantela-se na palma.

Se sopro houver,

Desmancha-se no ar.

Não pises,

Não é aço,

É folha de outono,

Ferrugem da cor.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Motivo.

Dê-me um bom motivo para não ostracizar-me pela eternidade.

O Mágico.

Das ruas,

Com o palco no mundo,

Brinca com os dedos,

Faz, desfaz,

Ilude parte dos observadores que passam,

Sorri sem sorrir,

Ri um riso insosso,

Incorpora o vazio nos movimentos,

Retira da cartola,

Falsidades muitas, indiferenças algumas,

Tudo muito colorido,

Com ares palacianos,

Os olhos marejados,

Cobrando sentimentos próprios,

Quebrantou-se todo,

De tanto enganar,

Enganou-se.

domingo, 22 de maio de 2011

Isso é meu.

Retirem de mim todas as notas,

Levem embora meus amores,

Matem meus sonhos,

Desfaçam minhas amizades,

Apaguem todas as minhas letras,

Façam o que quiserem com a minha fala,

Quebrem meus desejos,

Revirem-me de ponta cabeça,

Só não retirem a minha loucura,

É minha única qualidade.

Q.

Quero tanto,

Quero de tantas formas,

Quero de tantas maneiras,

Quero com quantas facetas,

Quero, por que quero, onde quero,

Quero,

Quero tanto, que querer

Já não me basta.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bailarina.

Daquela pequena caixinha, a bailarina bailava, trocava passos consigo,

Era toda ela, dela, para ela mesma,

No verniz ecoava a música cantarolada pela pequenina,

Era toda leve, toda bela, para ela mesma,

Roupinha rasgada, rostinho tristonho, maquiagem borrada,

Mas ela dançava,

Dançava no seu mundinho,

Todo único,

Era toda ela, dela, para ela mesma.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Encante-me.

Se realmente quer me convencer,

Dê-me uma dose pura,

Sem gelo, limão ou açúcar,

Nada de invólucros,

Dose Pura

De que?

Você.