quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Falar.

Entenda, eu não paro de falar nunca,

Eu falo com a voz,

Falo quando sorrio,

Falo com o corpo,

E falo, longamente, durante o meu silêncio.

Basta você entender a língua que eu falo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Comigo.

Gosto daqueles que me chacoalham por dentro, me tiram do alento, e me levam com o seu intento.
Desses que transformam o meu rosto rijo em sorriso que acaba em riso.
De quem se move pra me ver, mesmo quando chove..

Gosto dos que me dão esperança, e me chamam pra dança, sem se importar com a lambança.
Desses do mundo, que trazem consigo o perigo, e quem sem medo, eu mesmo os sigo.
De quem se faz cantar comigo, pensar , sentir , chorar , amizadar , inimizadar , e amar, sempre
Comigo, sempre meu amigo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Alma

Decidi trocar minha alma de época, para quem sabe manter vivo meu corpo presente.

Vivo

Vivo um presente com cheiro de passado, onde me cai melhor o funeral dos grandes mortos, do que a festa dos pequenos vivos.

Viagem.

Já é hora de descarrilhar o trem,
De fugir dos trilhos,
De perguntar-nos qual o destino.

A indiferença apertou os cintos,
E o trem continuou,
Para onde?
Sabe-se lá.

Pouco importa para muitos,
Muito importa para poucos,
É uma inversão de valores,
Em um momento que,

Por incrível que pareça,
A maioria não devia falar,
Calar-se-ia o inventor da democracia,
Choraria então aquele que fala em
Indivíduo.

E o trem continua
Para onde?
sabe-se lá
E nós pequenas roldanas,
Continuamos firmes passageiros,

De uma torpe viagem,
Sem destino
Nem volta.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tempo presente.

Vagando pelas ruas, procurando o que procurar,

Era menino, por vezes homem, por vezes inteiramente nostalgia

Filho de uma época, pertencente à outra,

Por vezes mais lá que cá.

Amante de cores desbotadas.

Notas que já silenciaram.

Palavras esquecidas.

Muito no futuro,

Quase nada no presente,

E tudo no passado.







 

domingo, 27 de novembro de 2011

Menino de Giz

Todo entardecer era a mesma coisa, o menino descia as escadinhas do seu pequeno apartamento onde morava com os pais, ia até o beco ao lado de sua casa e ficava observando defronte o paredão que lá se encontrava.
Na mesma hora, o menino descia, todos os dias, era metódico, ou melódico? bem não sei, sei que ele ia e vinha, e ficava, sempre à observar o paredão.
Não era dessas paredinhas pequenas, onde se passa uma perna depois outra, pronto, foi-se, era um paredaço, grandiloquente  cheio de tijolos bem sobrepostos, um paredão, feito de sonhos alquebrados.
Em um dia frio, desses de se por casaca, o menino desceu a escada depressa, ficou novamente defronte para o paredão, inspirou longamente, segurou por alguns segundos, e então assoprou, sopro de liberdade, de vontade de ir além, era sopro de quem cansara de ficar ali.
Num instante tudo parou, o vento cessou só para ver o que acontecia, e quando me dei conta, o incrível acontecera, o paredão se desmanchara no ar, era feito de giz, tão bem desenhado, delineado, tão real quanto algo irreal pode ser...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quieto

Tenho as notas por confidentes, e sempre lhes digo:

Esse silêncio anda fazendo eco no meu peito.

Pra lá.

Lá fora passa a música que quero ouvir, e eu sem tempo para ouvi-la,

Lá fora passa os livros que eu quero ler, e eu sem tempo para lê-los,

Lá fora passa as horas, e eu aqui sem tempo no tempo.

Lá fora passa tudo, e eu sem nada.

Só espero que lá fora não passe a vida, e eu não possa vivê-la.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Humano.

Escrevo, não para me engajar socialmente, me encaixar nos meios intelectualóides, aspirar riquezas inimagináveis (inimagináveis mesmo, com a situação da literatura em nosso país).
Escrevo, não por sensibilidade exacerbada, por amarguras passadas, amores não correspondidos, situações existencialistas, ou outros dos tantos clichês que enchem meus olhos todas as vezes que invento de ler algo novo, contemporâneo.
Escrevo, não por amor ao próximo, por condolência da humanidade, por esse ou aquele motivo específico, que se torna, tão banal, e perde-se no vácuo literário.
Escrevo não pelas linhas, pela lírica, pelos poetas.
Escrevo pela necessidade de sentir nas linhas na lírica nos poetas toda a minha humanidade
Por vezes tão desumana.

Areia

Mato bem matado,
Quem morto já estava,
Ato bem atado.
Quem no meio se encontrava.

Meios não são aceitos
Ou inteiros, ou nada são,
Mato também os perfeitos,
Que no fundo não estão.

Nem cá, nem lá
Sem eira nem beira
Levem, bem pra acolá
Passem os pseudos na peneira.

Só sobra areia,
Dessas de jogar nos olhos,
E enganar essa gente alheia.

Menininha.

Quando se nasce nas asas do vento,

Não é qualquer corrente de ar que nos impressiona,

É preciso, por vezes,  tormenta das grandes para virar

Uma só página do meu livro.

Já em outros entardeceres,

Sopra uma menininha tremula,

E despenca toda minha biblioteca.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bar

No bar dos encantos partidos,

Entram e saem tantos iludidos.

E eu muitas vezes de certezas acometido,

Sou mais um fingido.

Me fazendo de entendido,

Mesmo estando perdido,

No bar dos encantos partidos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Digo

Os inconformados reclamam da rosa, por essa ter espinhos.

Os poetas agradecem aos espinhos, por esses terem rosa.

domingo, 23 de outubro de 2011

Sal

Gosto de comida simples, assim como de uma boa conversa,

Não me importa muito o requinte de ambos,

Mas algo que me é intolerável,

É comida salgada, e pessoa sem sal.

Onírico.

Meus sonhos não morrem nunca,

Transformam-se vez ou outra,

Em nuvens para que eu possa contempla-los durante o dia,

Ou quando noite, em estrelas para reconfortar-me antes do sono.

Vinagre ou Vinho?

Cavalheiros, Damas, Senhoras, Senhores,

Acheguem-se, a casa é de vocês,

Limpem os pés, deixem a poeira para trás.

Pendurem as idéias no cabideiro junto com as casacas.

Sentem-se no chão, sem pudor.

Bebam, deleitem-se, derrubem o absinto no tapete.

Prestem atenção.

Agora o poeta escreve.

O músico toca.

E o artista lamenta.

São nessas linhas, nessas notas, nessa arte,

Que o vinagre desse parvo mundo,

 Vira vinho

Da mais alta qualidade.

domingo, 16 de outubro de 2011

É das coisas, pessoas, lugares, sentimentos tortos que eu participo, não tenho parte com a meticulosidade do politicamente correto, o impressionantemente certo, sempre me pareceu inteiramente errado.

Menino

Nesses dias enfadonhos o menino afogou-se só de observar a maresia,

Eu disse: - Menino, aproveita o mar, mergulha e esqueça da vida, mergulhe nessa vida, outra tão logo não chega.

Mas não, o danado queria só observar...

Deixei-o na praia e me fui para os braços d'água,

Dei uma olhadela lá do meio do mar,

O menino tornara-se uma estátua de sal.

Na beira d'água.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Influências

Eu sofro como Quintana,

Reclamo como Drummond

E sou bipolar como Fernando Pessoa,

Mas no fundo

Só consigo ser

Caio Russo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

Nascer.

Era uma ânsia tremenda,

Queria vir ao mundo,

Queria ver o mundo,

Senti-lo,

Encontrei o desigual,

A intolerância,

E humanos, tão desumanos,

Eu que ansiava por vir,

Hoje quero voltar,

De onde vim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Metade

Dado as circunstâncias,

Nada de goles rasos,

Aqui se enche a cara,

Ou não se bebe.

É pouco, É muito,

Mata-se o meio termo.

Deixar.

A dificuldade encontra-se no entardecer,

Naquele momento entre o vermelho, último do dia.

E a pitada de cinza que tinge o céu, inicio da noite.

No transformar-se, compreende os problemas,

Entre nascer e morrer.

Largar hábitos, pensamentos,

Amores surrados.

É onde a dor é latente,

Difícil é,

Deixar o fio do dia se esvair,

Desligar-se do comodismo.

Aceitá-la, noite, tão mais serena,

Preciso deixar que o dia acabe,

Que a noite passe,

E o novo dia amanheça.

Limpando, todo sentimento amalgamado,

Que falta,

Já não me faz.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Rir

É interessante como você pode ganhar uma pessoa com um sorriso, e perde-la com um riso.

Risco

A questão não é ter medo de se arriscar, é ter algo que valha realmente a pena se arriscar.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Entender.

A falta de sensibilidade das pessoas me assusta, aprendem sobre tudo que há no universo, e não compreendem um poema.

Quadro.

Contrastes,

Tonalidades quentes em meio à personagens excêntricamente frios,
A criatividade do artista estampada em cada pincelada.
Fugazes momentos de genialidade em meio à tamanha tela,

Não sobra cor,
Não falta artista,

Aos poucos o quadro vai tomando as formas desejadas pelo pintor,
E quando pronto,

Como saber, se quem pinta o quadro é o pintor,

Ou,
Quem pinta o pintor,

É o quadro.

sábado, 20 de agosto de 2011

Encontros.

Cheguei à conclusão, que minha vida é feita de desencontros.
Quando preciso escrever um poema, me surge um machado.
Quando preciso derrubar uma árvore, me surge uma caneta.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Aceite-me?

Homem moderno:  peculiar, único, infelizmente único.
Dessa solidão tão atual, diferenciada, personalizada.

Impressiona até mesmo o mais desatento, essa nossa necessidade de aceitação,
Precisamos nos encaixar à todo o momento, em todos os gostos genéricos.
Isso é simpatia, não falta de personalidade, claro.

É o som das palmas a minha volta que me tornam um “homem moderno”,
Podem haver inúmeras ovações, ao menor ruído de vaia, lá se vai meu castelo de areia.
Alguém não me aceita, não me tolera.

Algo deve ser feito...

Talvez eu mude meu sorriso, meus hábitos,
Quem sabe eu modifique meu gosto musical,
Talvez deixe de comer o que gosto, largo o que me apetece...

Quem sabe até mesmo
 Eu não me esqueça em algum lugar,
Não preciso da minha pessoa mesmo,
Preciso ser aceito...

Sabe o que mais me surpreende no “homem moderno”?
Essa nossa capacidade de falarmos em liberdade,
Mesmo estando tão presos aos outros.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Desenho

Dê-me uma borracha,
É o momento de apagar as cores que não combinam com o meu desenho.

?

Quem sabe, parte um tolo, volta um sábio.

Hoje só mais um trago de indiferença,
Talvez seja arrogância,

Intolerância quem sabe,
Mas não engulo toda essa mendicância.
Escassez de sentido.

Sentimentos tão poucos.

Diga-me o que vê quando observa as nuvens,
Conte-me do que és feito, não dos seus feitos.

Grite o que existe em você, que não em mim,ou
Em outrem.

Qual a essência, da sua essência.

Tolero hoje,
O gênio,
A intemperança.

Guardo comigo os encantos, daqueles que encantam,
Os  frívolos, que passem, não parem.

Agora diga-me,
O que faz de você, você?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pergunta.

Sempre me pergunto,por que minhas orelhas não tem pálpebras, quando não quisesse ouvir, seria como não querer olhar, só fechar os ouvidos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Trem

Era cedo, o vento era suave e o sol tímido, um belo dia para se andar de Trem.

Subi no vagão , sentei-me próximo a janela, aos poucos o Trem começava a andar.

Eu observava tudo pela janela, as paisagens se intercalavam entre si, contraste de verdes extensos entre montanhas bem delineadas.

Passava por entre lagos sutís, e as nuvens atrevidas, enchiam o céu e desenhavam ao seu bel prazer.

Depois de meses ali só olhando, eu percebi, ou pulava do Trem e sentia a vida, ou observaria tudo do meu assento até o fim dos dias.

Caí em mim, quebrei a janela com as mãos e saltei.
Caí fora do trem, quebrei braço e perna.

Mas sinceramente?

Foram as dores mais saborosas.

Eram dores de se viver.

Dentro do Trem eu existia,

Agora eu Vivia.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

É

É ser lua ao meio dia,

É ser sol à meia-noite,

Velar, observar, sem nada apresentar,

Imagem, tantas quantas se pode imaginar,

É

Ter tanto à dizer, que mais me vale o

Silêncio.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Frio

Um floco de neve todo frio,

Feito ao molde das nevascas,

Todo cheio de si,

Frio, de tão frio,

Navegava por entre os montes,

Na sua diária friolência,

Quando avistou ao longe uma pequenina idéia,

 Rubra,

Frágil, pequena,

Quente,

Chegou-se com sua prepotência,

Tocou na pequena

E

Derreteu-se todo.

Entender.

Compreender,

Se queres, desista.

A própria palavra já desistiu.

domingo, 12 de junho de 2011

Nuvem

Logo nos primeiros passos,

Já gritaram,

Menino, pare de sonhar,

Pés no chão rapaz,

Bem que tentei,

Mas meu chão é feito de nuvens.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Meio.

Por meio de, mediações, meia-hora, meio-copo, meio caminho andado, meio a meio,

Meio- cheio,

É                   

Meio- vazio.

Diálogos.

Falaram de mais, surtiram de menos,
Urraram de abissais segredos, dos mais secretos,
Galaporam por entre campos, não mais elíseos.
Arrancaram, o tão pouco, do tão nada que me restava.

Diálogos.

Dessas manhãs frias,  sobrou-me ascos, poucos.
Largaram tantos, enquantos tantos, largaram,
Ventos, daqueles, desses, tão mais loucos,
É chuva de verão, dessas que já passaram,

Falar por dois diálogos,
Faltar pela eternidade,
Saltar por entre mares,
Dizer da mente, para mente, enquanto mente.

Declaro-me fora deste, grande e parvo mundo,
E ainda mais,
Nada mais desinteressante do que o humano.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Dois

Mais dois dedos d’água e eu transbordo pra nunca mais voltar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Moro

Meu poeta mora....

Entre o insano e o indignado.

Sentido

Sobre os sentidos,

Esses que todos carregam,

E tão pouco usam,

 Sentir,

Sem fazer sentido,

Não preciso da realidade,

De fugas dela, sim.

Um lugar em meio as árvores,

Pequeno sono inocente,

É necessário descartar o vazio

Meu vazio tão pessoal, moderno.

Preciso de seres humanos,

Tão mais Humanos,

Do que Seres.

domingo, 29 de maio de 2011

Folha.

É folha de outono,

Cor de ferrugem,

Mas aço não é,

Ao menor toque,

Desmantela-se na palma.

Se sopro houver,

Desmancha-se no ar.

Não pises,

Não é aço,

É folha de outono,

Ferrugem da cor.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Motivo.

Dê-me um bom motivo para não ostracizar-me pela eternidade.

O Mágico.

Das ruas,

Com o palco no mundo,

Brinca com os dedos,

Faz, desfaz,

Ilude parte dos observadores que passam,

Sorri sem sorrir,

Ri um riso insosso,

Incorpora o vazio nos movimentos,

Retira da cartola,

Falsidades muitas, indiferenças algumas,

Tudo muito colorido,

Com ares palacianos,

Os olhos marejados,

Cobrando sentimentos próprios,

Quebrantou-se todo,

De tanto enganar,

Enganou-se.

domingo, 22 de maio de 2011

Isso é meu.

Retirem de mim todas as notas,

Levem embora meus amores,

Matem meus sonhos,

Desfaçam minhas amizades,

Apaguem todas as minhas letras,

Façam o que quiserem com a minha fala,

Quebrem meus desejos,

Revirem-me de ponta cabeça,

Só não retirem a minha loucura,

É minha única qualidade.

Q.

Quero tanto,

Quero de tantas formas,

Quero de tantas maneiras,

Quero com quantas facetas,

Quero, por que quero, onde quero,

Quero,

Quero tanto, que querer

Já não me basta.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bailarina.

Daquela pequena caixinha, a bailarina bailava, trocava passos consigo,

Era toda ela, dela, para ela mesma,

No verniz ecoava a música cantarolada pela pequenina,

Era toda leve, toda bela, para ela mesma,

Roupinha rasgada, rostinho tristonho, maquiagem borrada,

Mas ela dançava,

Dançava no seu mundinho,

Todo único,

Era toda ela, dela, para ela mesma.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Encante-me.

Se realmente quer me convencer,

Dê-me uma dose pura,

Sem gelo, limão ou açúcar,

Nada de invólucros,

Dose Pura

De que?

Você.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Minha Poesia.

Esgotei-me de sentimentalismo barato,

Minha poesia encontra-se além dos bosques,

Desce com a brisa soturna,

Corre pelos campos molhados,

Rola na chuva do poente

Esconde-se na névoa do incessante,

Perdeu a linha, sem mais foco.

Grita a esmo, murmura esse abissal silêncio,

Oscila entre padecer do próximo ou amargurá-lo cruelmente,

Transpassa os limites do homem,

Habita o inóspito,

Corrompe o incólume,

Lança-se aos alfabetizados pelo lirismo,

Critica sua critica por si,

É livre e feita para os livres,

Não espera compreensão,

Nela há,

Tanta vida, tanta vida, tanta vida,

Em tão poucas linhas.

Finjo.

Exijo respeito,

Admiração,

Afeto,

Compreensão,

À todos os nossos amados ignorantes,

De passagem, o mundo lhes pertence,

Encontram-se espalhados em todos os cantos,

Becos,

Ruas sem saída,

Brotam do nada ao nada,

Vêm, vão, ficam

São líderes, pseudo-intelectuais, mestres letrados, politizados, íntegros, cheios de idéia s, cheios de si, cheios de tão cheios.

Mas a taça,

Essa vazia,

Digo:

Parvos uni-vos,

É a festa do mau gosto,

Mau agouro,

Venham com todos os pseudos,

Tragam seus hábitos horrendos,

Sua péssima cultura mesclada à falta de educação,

Dançam bêbados,

Desnudos de sentido,

Nesses dias,

Fingir saber,

É mais importante que o próprio saber,

Fingir cultura,

É mais recomendado, do que ser culto.

Fingir respeitar,

Fingir entender,

Fingem a própria existência,

Fingem fingir.

terça-feira, 19 de abril de 2011

D

Dissolvo-me

Disperso do Dono,

Diferente Deles,

Distante Daquela Doca,

Destoando,

Daquilo,

Daqueles,

Doravante, Desacredito,

Daquilo,

Daqueles

Dissolvo-me


domingo, 17 de abril de 2011

Inocência.

Deu em todos os jornais,
As emissoras pararam para transmitir,
Essa catástrofe,
Calamidade ,
Mataram,
Sim,
Ela,
A inocência,
Depois de milênios existindo, criando e amando,
Ela morre agora no nosso século,
XXI
Tenho pena das futuras crianças,
Quando dez anos meu irmão completar,
Quarenta anos terá.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu-lírico

Existe uma tênue linha entre eu e meu eu-lírico, mas sinceramente, nunca a vi.

Chato

Pedante,

Irritante,

Insignificante,

Cheio de pensamentos,

Irrelevantes,

Eis a fórmula para se criar um chato.

domingo, 10 de abril de 2011

Loucos

Se loucos alguns são, logo sãos não são,

Mas se são sãos, loucos não são,

Logo loucos não existem,

Nem sãos,

Apenas,

Perspectivas.

Opção

Quem me dera ter opção, escrever é inerente a mim.

Não

Não hei de parar,

Não de escrever,

Se por acaso tirares as minhas mãos,

Declamarei em voz alta,

Se minha língua então cortares,

Escreverei de minha alma,

Para eu,

Mesmo .

Conhecer

Quer conhecer realmente uma pessoa?

Leia o que ela escreve,

Há mais dela ali, do que nela mesma.

Música do Acaso

Ouço ao longe a sonata de formas perdidas,

Sem requintes,

Música pura,

Nua,

Esse Allegro, tão letárgico,

Desse Largo almejado,

Sobra-me o Andante,

Nem lá, nem cá,

Sem requintes,

Música pura,

Nua.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Medo.

Meu maior medo é acordar um dia desses, sem medo algum.

terça-feira, 15 de março de 2011

Qualquer

Não me confunda com qualquer um, sou qualquer um, mas com a crença de que sou alguém.

Grande

Não que me importe, mas hoje eu gostaria de um toque de simplicidade,

Os grandes são sempre incompreendidos, óbvio, são grandes não por que são tão grandes assim,mas sim,

Por que o resto é pequeno,

Diminuto,

Minúsculo,

Toda mente grande é por si, complexa,

Temperamental,

Soberba,

E sempre, sempre, Haverão pequeninos tentando diminuí-la,

Não confundam,

Simplicidade e mediocridade,

A primeira é docemente desejável,

Inocente,

Frágil,

Já a próxima, invejosa, pequena, mesquinha,

Qualquer alma excêntrica,

Precisa necessariamente,

De uma alma,

Simples .

Nomes

Disseram-me que devo escrever para dar vazão aos sentimentos,

Tento seguir esse conselho,

Eu escrevo,

Reescrevo,

Invento,

Crio,

Mas e quando os sentimentos são personificados,

Cheios de vida,

Braços e pernas

Vontades, desejos,

E se eles,

Falam com suave voz,

Se observam,

Com olhos de ressaca,

Sim, Esses da Capitu,

Diga-me,

O que fazer,

Quando os sentimentos,

Tem nome

Próprio.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Poeta.

Minha pequena parte da vida,

Meus tantos desencontros,

Aceit...

Esperava um poema certo?

Continue esperando meu caro,

Sou um poeta,

Escrevo quando bem entendo,

Cha-mas-te-me de louco?

Por que?

Não juntei as letras?

Não acentuei o “Por quê”,

Não espere verdades,

Muito menos coerências,

Não de mim

E

N

T

E

N

D

E

S

T

E

.

Leve

Tudo um grande arrasto,

Carrego,

Carrego peso por demasia,

Um ar rarefeito aqui,

Um pensamento feito concreto acolá,

Necessito de perdas,

Perder o fôlego por algo que importe,

Perder umas palavras prolixicas,

Denso,

Como mármore no oceano,

Perder as filosofias inúteis,

Perder tudo o que me sobra,

E falta

Já não faz.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A

Personalidades Átonas,

Pessoas Assimétricas

Ah poucas notas,

Partitura Atonal,

Em um mundo

Ambíguo.

Análogo,

A,

Alguém.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Tic-Toc

Toc-Toc

Tic-Tac

Toc-Toc

Tic-Tac

Tic-Tac

Toc-Toc

Toc-Toc

Tic-Tac

Tic-Tac

Tic-Tac

Toc-Toc

Insistência.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Poema

Os poemas são todos,

Diários,

Sejam eles escritos

Ou

Desejosos de o serem,

No passado,

Presente

E futuro inexistente,

Poemas ,

São espelhos da carne,

Escritos pela alma.

Perder tempo.

Descobri uma de minhas maiores proficiências,

Perder tempo,

Se “tempo” é “dinheiro”

Sou um paupérrimo de marca maior,

Miserável de dar dó até em psdebista,

Mas perco meu tempo só com pessoas

Aquelas que não merecem,

Dia

Hora ,

Minuto,

Segundo .

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Vagaroso.

Francamente,

Tenho um fraquejo por incoerências,

E profunda admiração por tudo que destoa,

Enjoei-me de brevidades,

Cissiparidades,

De toda essa equalização,

Virei fã de relacionamentos no melhor estilo

Slow motion,

Com aquela pitada de

“Pour Toujours”.

Diferenciei-me,

Desacelerei-me.

Meu livro.

La nos confins,

Encontraram minha parte,

Dentro das paginas amareladas pelo tempo,

Naquele livro com bela capa,

Encostado no velho ipê,

Que flores já não dava,

Parte daquela ilha,

Onde o mar entristece os olhos,

O vento emudece as árvores,

E o tempo não existe,

Entre as lembranças infindas,

Agora,

Peço que,

Volte a florescer,

Meu pequeno

Ipê .

domingo, 23 de janeiro de 2011

Arte.

Disseram-me certa vez, que tudo que poderia ser escrito já o fora,

Falaram que as possibilidades artísticas foram exploradas até a exaustão,

Que criação é na realidade a roupa de festa da imitação,

Disseram-me mais, muito mais, disparates sobre uma possível,

Inutilidade artística,

Digo à aqueles que nasceram e em parte adquiriram essa insana insensata insensibilidade,

Guardem o cientificismo, guardem as escalas, medições,

Intensifiquem integralmente inteligíveis percepções sobre o que os rodeiam.

Não existem verdades absolutas.

Apenas perguntas.

A Arte Pergunta.

E responde

Na sua mais bela incerteza,

Poesia sem ente.

Andar descalço na estrada quente,

Sem beira nem eira,

Sem tênis, parente, patente,

Andar, plantar bananeira,

Sem algo, coisa, muito menos parente,

Sem pestanejar em tornar a leiteira,

Toda

Pela ladeira,

Digo mais,

Tente .

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Você.

Não mais as fadigas urbanas,

Já caminho a tanto tempo entre passos feitos,

Estradas pavimentadas sem o meu consentimento,

Já me aglutinei de conceitos, conceitos,

Tragam-me um pouco de personalidades irreverentes,

Tragam-me excentricidades, quaisquer elas sejam,

Agora só um pouco de fumo barato,

Roupas extravagantes,

Linguajar inapropriado,

Temas não falados,

Turbe meus olhos com imagens vulgares,

Dê-me um suspiro largado ao intimo,

Um sussurro impreciso,

Aquele do meu agrado,

Faça algo,

Crie,

Invente,

Inove,

Por mais medíocre que pareça,

Traga-me parte de você,

Sem pôster, capa, pintura recalcada,

Ou pior

Imitação barata.