sábado, 25 de setembro de 2010

Leia-me

Note que nunca descansei,

Incansavelmente fui sombra de tantos quantos queriam,

Parte do eu exterior é inteiramente de vocês, não compartilho sua essência, é de vocês.

Rir é parte da farsa, dessa comédia tão trágica,

Para sua felicidade nações sangram em seus eixos.

Meu caro,

Tenho tanto à escrever e tão pouco tempo para ser escritor.

domingo, 19 de setembro de 2010

Inominável.

Cansaste de medir importâncias?

Cansei-me junto a ti.

Não mais me agrada citar valores,

As grandes coisas são tão irrelevantes quando vistas de cima,

As ínfimas são imensas quando vistas de baixo,

Surpreenda-me com algo que realmente importe,

Cansei-me da complexidade dos fatos,

Das filosofias distantes,

Dos abismos sociais,

Cansei de gritar em vão,

E em queda chegar a esse chão,

Cansei destas rimas, daquelas, de qualquer outra,

Já não tolero mesquinharias,

Sem delongas,

Sem enfeites,

Já não sei o que é belo,

Já não sei discernir o certo,

Nem mesmo o disperso,

Já não entendo de importâncias.

Cansei-me de cansar-me.

sábado, 11 de setembro de 2010

Pé-De-Homem

Fenômenos surpreendentes sempre ocorrem em lugares remotos, quanto mais interiorizado o lugar, mais curioso o ocorrido.

Desses ocorridos, um, chamou-me atenção. Descreverei aos que acreditam, e obviamente, os descrentes ( essa classe em especial) que adorará ridicularizar o que contarei a seguir.

Vamos ao que chamo,

Conto do homem arvore,

Em um desses vilarejos chutados por Deus, vivia certo rapaz, Arnaldo Santos, conhecido como Arnaldo Reclamão pelos habitantes da pseudo-cidade.

Arnaldo Reclamão adquiriu esse apelido graças à sua peculiar maneira de defender seu ponto de vista, em um lugar onde não se tinha ponto de ônibus, muito menos oftalmologista, sua popularidade não era das mais positivas.

Gritava aos oito ventos suas mirabolantes idéias, não trocar voto por litro de leite, não comprar terreno no céu pagando o carro do pastor, entre outros devaneios juvenis.

Ele já não escapava de nenhuma roda de conversa, crianças, idosos, feirantes, comadres,compadres, Arnaldo Reclamão era feito ídolo as avessas.

Caminhando feito tolo o Reclamão resolveu reformular-se, já cansado de alinhar os passos e controlar a língua, compeliu para si uma missão, “serei esquecido”.

Há dias ele observava o pé de araucária ao lado da prefeitura, logo veio-lhe a mente a maior idéia já vista, tão grande, que seus ombros curvaram.

Araucária serei, plantar-me-ei e esquecido serei.

Descalçou as botas surradas e enfiou o pé na terra, enterrou-os até a altura da canela, fechou os olhos e ali ficou,

Passaram-se dias,

Então o inacreditável se tornou palavra sem uso,

Aos poucos, Araucária Arnaldo virava,

Meses se passaram e os galhos cresciam, as folhas brotavam de sua cabeça, raízes cresciam do solado de seu pé, e aprofundavam, aprofundavam,

Ano se passou,

Estagnado ficou,

E araucária se tornou,

E aos poucos esquecido, esquecido.

Dizem que se você parar um instante, se você puder parar apenas um instante, você ouvirá Arnaldo Reclamão, falando ao pé do vento,

Pare por um instante.

domingo, 5 de setembro de 2010

Ideal.

Quando opino sobre os desfechos, não espero ser compreendido,

Espero talvez, uma condolência discreta ou um sorriso largado,

Procurando influencias nos amados escritores mortos, que apesar da morbidez dos seus corpos, vivem ainda em cada palavra escrita ou gesto anotado,

Ser lembrado por uma risada gargalhada ou por choro lacrimoso,

Admirado por violência machucante, medos temerosos, fugas fugidas,

Idéias com ideais próprios,

Vivas e vividas,

Saltitando em saltos dentro dos túmulos dos grandes,

Procurando procurar o fio da meada,

Sob aquela influencia tão influenciada,

Quando opino sobre os desfechos, não espero ser compreendido.