quinta-feira, 22 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O “Fingidor”

Logo ao nascer já fingiu os primeiros lamentos, uma encenação precoce.
Um dia aos doze anos, fingiu gostar de pesca para agradar o pai, e empurrou o bolo de fubá goela abaixo para agradar a mãe,
Aos vinte anos, fingia gostar de engenharia para o bem da nação, fingia querer o que não queria,
Com uma ruiva se casou, gostava de uma loira, mas todos gostavam dessa mulher, seus pais gostavam, ele também fingiu gostar,
Fingiu gostar do que viria,
Era um fingidor tão fingido que o fingimento já lhe tomava ares de realidade.
Mas nada é eterno,
Uma hora a festa acaba.
O destino certo dia, acabou com a graça do fingidor.
Morto estava, e no funeral todos presentes, amigos, mulher, parentes todos.
Lá o choro era real, o desespero abraçava a todos,
Mas,
Eles não sabiam que choravam por alguém que não existia, que nunca existiu, choravam por um pseudo-homem.
Existiu, mas não viveu.