quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Devaneios de um jovem perdido.

Gostaria de perder a linha por um momento, derrubar a mascara, servir a mim mesmo, ser o vilão e o mocinho, o diretor e os figurantes, protagonizando o meu drama.

Quando as cortinas se levantam eu ainda estou lá, sentado em minha nobre cadeira, pensando sobre como os astros me ajudariam, astros estes dos céus longínquos.

Não haveria volta para o meu eu – lírico, ele já é considerado teu – lírico, nada que eu possa fazer, gostaria de resgatá-lo talvez, trazê-lo de volta a minha nobre e primogênita inspiração, essa que não dependia de ser algum, existia por existir, aparecia quando dava na telha, tomava-me a mente e me conduzia pelos mundos da criação, hoje não sou mais quem fui, o meu se transformou em teu, a inspiração que não provinha de fonte alguma e de toda fonte, pertence a ti, somente a ti, como esbravejar se tua falsa imagem já toma minha mente, se toma o espaço que era dedicado a todas as causas, como posso eu não me expressar? Ser claro talvez?

Nunca fui detentor de grande eloqüência, falo palavras a esmo, dito regras que não seguiria e conceitos que meu intimo não acredita, sou fraco, acovardado, apalhaçado pela culpa, falta de coragem essa de dizer claramente, explorar os belos momentos, vontade essa que eu sinto de tentar dizer, mais a língua enrola e nada sai, sou um nobre falido, algo como um antigo senhor feudal sem feudo, soldados ou escravos, simples estas palavras, difícil falar, fácil escrever.

Seria você o melhor ou o pior? Eis a pobre questão, existe ainda a tal da esperança, que me cerca e vive soprando aos meus ouvidos “ garoto é tua, como não poderia ser? Une-te a coragem e a enfrente defronte, vai-lhe ter rápido, tome-a pelas mãos e a ame, o brilho é seu, ela já lhe entregou sem dizer, vais garoto, corre pela senda do sentimento e seja feliz”, nunca havia tido uma conversa franca com a esperança, mas hoje ela me encorajou, acredito nela, certos pontos sim, certos pontos não, nem tudo pode ser como planejamos, mas está ai a graça, o surpreendente é a porta que nos ajuda a viver.

Com jeito volto a falar-te do meu amado eu – lírico que jaz prisioneiro em minha mente, imploro-te por um momento, pode solta-lo e transformá-lo em nosso – lírico? A chave esta contigo, nada mais posso fazer, poderia até, mas não o desejo, já lhe entreguei a chave.

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