sábado, 18 de dezembro de 2010

Deixem que escolham.

Nada como ser amado,

Idolatrado,

Querido,

Resguardado,

Nada como ser odiado,

Julgado,

Mal falado,

Apedrejado,

Dêem o direito de escolha entre esses dois horizontes,

Mas não deixem que a terceira escolha venha à tona,

Indiferença.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Não Apresentável.

Meus caros,

Meus poucos,

Aqueles cantos,

Aqueles restos,

Sobrou-me aspas

Sobrou-me cascas,

Faltou-me notas,

Faltou-me tocas,

Para fugir,

Do meu pequeno,

Universo sonoro,

E talvez,

Fazer meu próprio,

Cinema mudo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sua Vida.

Dê-me um pedaço de vida todo vazio, em branco,

Prometo que vou escrevê-lo todo,

Prometo que será de ponta cabeça, tortuoso e confuso,

Assim como a vida deve ser,

Surpreendente,

Inesperada,

Também,

Colorirei ao meu bel prazer, das cores mais estranhas,

Com os melhores rabiscos,

Nas vontades mais repentinas,

Sem medidas, deixando a criatividade correr livre,

Nua e crua,

Como a vida deve ser.

Reflexo

Sinceramente não sou bom em descrever espelhos,

Começarei por onde?

Pelo pico dos montes?

Talvez nas depressões profundas?

Falar dos espelhos,

É para mim,

Deitar em folhas quentes de veraneio,

Caminhar na neve densa,

Navegar por rios intermitentes,

Sem enxergar

Começo

Meio

Fim,

É reflorestar uma floresta em um instante,

E queimá-la no próximo,

É beber todos os risos em uma noite,

Afogar-se em uma gota de lagrima na manhã seguinte,

É odiar no entardecer,

Amar durante séculos,

É entediar-se do mundo,

E interessar-se pelos pormenores,

É indagar, criticar,

Ser , estar , amargurar , satirizar ,

Sem nunca sentir,

Sentindo a todo instante,

Como digo,

Falar de espelhos,

Não é simples,

Não para mim.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Notas.

Minhas pequenas dissonâncias, guardo-as todas,

Para senti-las, quando houver ao acaso uma

Vontade qualquer,

Não direi que odeio de todo as consonâncias,

Mas nada como as di,

Nada como o diferente,

Inerente,

À mente.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Escrever.

Posso escrever simples linhas

E

Com essas linhas, amargurar sentimentos alheios,

Brotar sorrisos em rostos desconhecidos,

Florescer vontade latente,

Aceitar verdades nem sempre verossímeis,

Posso

Tornar-me personagens váriados,

De diversas nações, linguas, culturas.

Fazer o que desejo, na hora que bem entendo,

Tudo posso,

Tudo faço,

Tudo sou,

Nas linhas dos meus poemas.

Sou,

Meu, teu, nossos, vossos,

Desatinos,

Palavras jogadas,

Carrocéis de sentimentos,

Sou como quero,

Infundado,

Fronteiriço,

Mas,

Sim.

Quero ser além,

Aquém ,

Alguém ,

Mas não noto,

Que já sou,Meu, teu, nossos, vossos,

Desatinos,

Palavras jogadas,

Carrocéis de sentimentos,

Sou como quero,

Infundado,

Fronteiriço,

Mas,

Sim.

Quero ser além,

Aquém ,

Alguém ,

Mas não noto,

Que já sou,

O que sou,

E não o que poderia ser,

Só sou.

O que sou,

E não o que poderia ser,

Só sou.

Dedicado à alguém que é, mas não sabe.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Pequeno Adendo.

É indigesto polítizar este país,

Fatos são meras ilustrações de fundo,

O que realmente importa é teatrizar,

Remasterizar o passado,

De maneira que,

O que foi, pareça ser agora,

E o que não foi,

Pareça possível,

É indigesto criticar neste país.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Fora dos Padrões.

Entre, devagar,

Encoste a porta ao passar,

Tudo sorrateiramente,

Tire os sapatos

Deixe-os na soleira,

Para que tanto cuidado, pergunta-me ?

Sim meu caro, este é um poema de respeito,

Não é feito nem dado a palavras genéricas,

Exige originalidade, conteúdo, sentimento,

Criado em molde único,

Nunca visto,

Ouvido,

Tocado,

Completo em contornos acentuados,

Sinceridade exacerbada,

Poema que,

Necessita de vida própria,

De constante inspiração,

É tão complexo em suas criativas simplicidades,

A poema,

Quero guarda-lo com carinho,

Dentro da casa dos bons amigos,

Na caixinha dos risos bobos...


Um singelo texto à Talita Dionisio.

domingo, 24 de outubro de 2010

Sim, mais rápido.

Mais uma daquelas pressas rotineiras,

Viver logo, amar tão rápido quanto se possa,

Ser , estar,

Almejar,buscar,

Não me apresente as consequencias,

Quero velocidade da vida,

Suga-la cada segundo,

Secando todas as possibilidades,

Sem essencia,

Só velocidade.

Peculiar.

Ah querida insolidez,

Fiquei tão insoso quanto comida fria,

Tudo em banho maria,

Noturna insensatez.

sábado, 25 de setembro de 2010

Leia-me

Note que nunca descansei,

Incansavelmente fui sombra de tantos quantos queriam,

Parte do eu exterior é inteiramente de vocês, não compartilho sua essência, é de vocês.

Rir é parte da farsa, dessa comédia tão trágica,

Para sua felicidade nações sangram em seus eixos.

Meu caro,

Tenho tanto à escrever e tão pouco tempo para ser escritor.

domingo, 19 de setembro de 2010

Inominável.

Cansaste de medir importâncias?

Cansei-me junto a ti.

Não mais me agrada citar valores,

As grandes coisas são tão irrelevantes quando vistas de cima,

As ínfimas são imensas quando vistas de baixo,

Surpreenda-me com algo que realmente importe,

Cansei-me da complexidade dos fatos,

Das filosofias distantes,

Dos abismos sociais,

Cansei de gritar em vão,

E em queda chegar a esse chão,

Cansei destas rimas, daquelas, de qualquer outra,

Já não tolero mesquinharias,

Sem delongas,

Sem enfeites,

Já não sei o que é belo,

Já não sei discernir o certo,

Nem mesmo o disperso,

Já não entendo de importâncias.

Cansei-me de cansar-me.

sábado, 11 de setembro de 2010

Pé-De-Homem

Fenômenos surpreendentes sempre ocorrem em lugares remotos, quanto mais interiorizado o lugar, mais curioso o ocorrido.

Desses ocorridos, um, chamou-me atenção. Descreverei aos que acreditam, e obviamente, os descrentes ( essa classe em especial) que adorará ridicularizar o que contarei a seguir.

Vamos ao que chamo,

Conto do homem arvore,

Em um desses vilarejos chutados por Deus, vivia certo rapaz, Arnaldo Santos, conhecido como Arnaldo Reclamão pelos habitantes da pseudo-cidade.

Arnaldo Reclamão adquiriu esse apelido graças à sua peculiar maneira de defender seu ponto de vista, em um lugar onde não se tinha ponto de ônibus, muito menos oftalmologista, sua popularidade não era das mais positivas.

Gritava aos oito ventos suas mirabolantes idéias, não trocar voto por litro de leite, não comprar terreno no céu pagando o carro do pastor, entre outros devaneios juvenis.

Ele já não escapava de nenhuma roda de conversa, crianças, idosos, feirantes, comadres,compadres, Arnaldo Reclamão era feito ídolo as avessas.

Caminhando feito tolo o Reclamão resolveu reformular-se, já cansado de alinhar os passos e controlar a língua, compeliu para si uma missão, “serei esquecido”.

Há dias ele observava o pé de araucária ao lado da prefeitura, logo veio-lhe a mente a maior idéia já vista, tão grande, que seus ombros curvaram.

Araucária serei, plantar-me-ei e esquecido serei.

Descalçou as botas surradas e enfiou o pé na terra, enterrou-os até a altura da canela, fechou os olhos e ali ficou,

Passaram-se dias,

Então o inacreditável se tornou palavra sem uso,

Aos poucos, Araucária Arnaldo virava,

Meses se passaram e os galhos cresciam, as folhas brotavam de sua cabeça, raízes cresciam do solado de seu pé, e aprofundavam, aprofundavam,

Ano se passou,

Estagnado ficou,

E araucária se tornou,

E aos poucos esquecido, esquecido.

Dizem que se você parar um instante, se você puder parar apenas um instante, você ouvirá Arnaldo Reclamão, falando ao pé do vento,

Pare por um instante.

domingo, 5 de setembro de 2010

Ideal.

Quando opino sobre os desfechos, não espero ser compreendido,

Espero talvez, uma condolência discreta ou um sorriso largado,

Procurando influencias nos amados escritores mortos, que apesar da morbidez dos seus corpos, vivem ainda em cada palavra escrita ou gesto anotado,

Ser lembrado por uma risada gargalhada ou por choro lacrimoso,

Admirado por violência machucante, medos temerosos, fugas fugidas,

Idéias com ideais próprios,

Vivas e vividas,

Saltitando em saltos dentro dos túmulos dos grandes,

Procurando procurar o fio da meada,

Sob aquela influencia tão influenciada,

Quando opino sobre os desfechos, não espero ser compreendido.

domingo, 29 de agosto de 2010

Moinho.

Quando os moinhos se vão, sempre ficam as folhas,

Sim, as folhas,

A água seca tornasse em lembranças,

Na velha madeira do moinho, tudo estala, até o silêncio,

O vento restante já não importa,

De todas as cores resta o cinza, o marrom, abraços, promessas,

Nenhuma perca se equipara a perda de um moinho,

Restam folhas por todo lado,

Folhas secas,

Folhas ,

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pedaço

Parte de mim é o que toco, maneira de expressar além das palavras,
Parte de mim é o que escrevo, forma de mostrar sentimentos além-som,
Sobra-me ainda, as lágrimas, os sorrisos afetados, e os outros tantos,
Falta-me,
Falta-me partes,
Tantas lacunas criativas,
Quebra -cabeças só de cantos,
Mas,
Toda e qualquer arte, faz parte da parte que faço parte.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Versos,

Os pequenos versos são inegavelmente os mais belos, não necessitam de palavras complexas e toda essa rebusques dos amargos poetas letrados,

São por si só, vivos, inerentes a quem escreveu-os, pertencentes a todo e qualquer leitor desavisado ou avisado, culto ou inculto, versos que não visam a condição financeira de quem o lê, menos ainda sua ascensão social,

Verso curto, livre de rima

Livre de preconceitos.

Livre de hipocrisias.

Pequeno verso.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Aceite-se

Meu caro iludido, deixe-me dizer quanto prezo por sua ilusão, pelo seu lindo mundo, florido, cintilante, cheio de alegria nas esquinas, amor nascendo a todo canto, benfeitorias voando sobre nossas cabeças, política bem feita sobre nossos pés, pessoas lindas, bem vestidas, cheias de, NADA,

Terá de desculpar-me, mas seu castelo de cartas cai agora, pois eu assopro.

Por que admiração constante a perfeição?

A inexistência da mesma já prova, ela é um saco.

Deixe de lado os detalhes, o belo, tudo aquilo que aparenta ser, mas nunca é.

Aprenda caro, aprenda, não prefira o mar de rosas, prefira ser uma única rosa no imenso mar,

Contemple o mundo das intemperanças, é ai que mora a graça, sim bem ai,

O que seria do mundo sem adversidades?

Mesmice cruel, absurdamente cruel,

No mundo da robótica em um futuro próximo,

Quem sabe,

Mas hoje eu não permito,

Ser pequeno,

Ser mesquinho,

Ser perfeito,

Permito a insanidade,

Permito os erros

Toda e qualquer arte,

Toda genialidade,

Permita-se ser Humano.

Repetidamente desejo.

Por um instante eu desejo...

Que o meu mundo seja como saltos de crianças,

Que minhas descobertas sejam simples,

Que minhas falas sejam dóceis,

Que meus gestos sejam leves, agradáveis,

Por um instante eu desejo...

Que minha escrita seja formidável,

Que minhas palavras sejam brandas,

Que meu gênio seja inocente,

Que meu riso seja real,

Que meu choro crie caminhos,

Por um instante eu desejo...

Que minhas notas atinjam os abismos,

Que meus lábios toquem os céus,

Que meus sentimentos atinjam as águas

Desejo, intimamente desejo,

Desejo, mas não falo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Tão eu.

Sou o dono das horas,

Sou dono de todo e qualquer dono, chefe de todas as idéias,

Pai, patrão de toda razão que foge ao convencional,

Não sou de formas, gêneros; não sou de amar as cores de face oculta,

Para dizer-lhe verdade toda, nem vi, se ela incolor é, e invertida está, nem reparei camarada.

Cansei-me dos poucos, sou feito e dado a muita emoção, muita vida, muitos sentimentos; nada de goles rasos,

Não fui feito para limites,

Eu atravesso paredes,

Derribo grades,

Sou

Gerado nas asas das palavras,

Fui feito a imagem da liberdade,

Nada de calmaria dos lagos,

Sim,

Agitação das ondas,

Movimento de viver, sobre viver, enquanto vivo.

Títulos.

Como entendo,

Compreendo meu caro,

A extrema dificuldade em nomear-se o poema, conto, crônica, ou texto banal ( não que esses não o possam ser) .

Criar um título é condensar o mundo em algumas palavras, ato humilhante e desesperador.

Nomear as idéias é sem exagero, amargurá-las em letras prolexas que nada querem comigo; nem contigo.

O texto sim, belo de corpo, belo de alma, definido por sua roupa, seu título, julgado inteiramente por um pedaço sem importância, por um chapéu desnecessário,

Claro que virão os conservadores gritando palavras desconexas sobre “preciso saber do que se trata” , não é de minha intenção informá-lo, dane-se sua informação sem conteúdo,

Sua literatura cheia de títulos, rótulos e amores inacabados,

Fale mais,

Grite mais,

Se perca no poema,

Não no título.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pequenos segredos.

Dou preferência às manhãs frias,

Café preto na caneca,

Alguns tímidos raios luminosos,

Quando me inclino para escrever,

A caneta se torna os caminhos,

O manuscrito se torna o mundo,

E eu me torno poeta.

Adendo sobre a noite.

Noite longa,

Cheia de calmaria desconfiada,

E aquele pequeno floco de neve desce,

Desce desde os céus,

Toca meus lábios,

Umedece minhas falas,

Ameniza meu ego,

Controla meu temperamento,

Doma meu monstro,

Esfria minha crítica,

Pequeno,

Floco

De

Neve.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O “Fingidor”

Logo ao nascer já fingiu os primeiros lamentos, uma encenação precoce.
Um dia aos doze anos, fingiu gostar de pesca para agradar o pai, e empurrou o bolo de fubá goela abaixo para agradar a mãe,
Aos vinte anos, fingia gostar de engenharia para o bem da nação, fingia querer o que não queria,
Com uma ruiva se casou, gostava de uma loira, mas todos gostavam dessa mulher, seus pais gostavam, ele também fingiu gostar,
Fingiu gostar do que viria,
Era um fingidor tão fingido que o fingimento já lhe tomava ares de realidade.
Mas nada é eterno,
Uma hora a festa acaba.
O destino certo dia, acabou com a graça do fingidor.
Morto estava, e no funeral todos presentes, amigos, mulher, parentes todos.
Lá o choro era real, o desespero abraçava a todos,
Mas,
Eles não sabiam que choravam por alguém que não existia, que nunca existiu, choravam por um pseudo-homem.
Existiu, mas não viveu.

sábado, 27 de março de 2010

Reino de bobos.

Odeio os meus governantes.
Se deleitam no puro êxtase luxurioso do meu dinheiro,
Mas apesar dos pesares,
Quando falamos em corrupção, não falamos de política,
Falamos de espelhos.

Emoções banais.

Compre uma das minhas emoções.
Só um trago.
Só uma dose.
Aquela dos frágeis.
Beba, sim palavras,
Gestos não,
Gestos nunca,
Emoções banais.
Um amor aqui.
Uma vida acolá.

Opinando.

Não se cria um poema, ele já existe na alma do autor.
O poeta só o transcreve para nossa lingua.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Crendices de um Jovem Tolo.

Nem tudo são contos, nem todos os ventos são passageiros, alguns assobiam em nossas vidas por algumas eternidades.

Descobri por entre lençóis, todos os segredos do homem jaz sobre a quentura e ternura de seus travesseiros.

Encontrei nos intimo da simplicidade meu eu perdido, faltava-lhe um braço e talvez meia perna, mas era ele.

Só hoje percebi que não combino com as vestiduras de um perdedor, combino mais com a nudez dos que persistem, os que persistem em amar.

Uma nova descoberta me remete também, nenhum amor é doce ou amargo, não é salgado ou insosso, sem demasia em nenhum dos lados.

Só agora fui apresentado à moderação, o amor não leva em consideração quem somos, por que somos, ou o que realmente queremos, nada é levado em consideração.

Um tanto dualístico e multifacetado, ele existe em tantas formas, tantos jeitos, não existe maneira eficaz de compará-lo ou criá-lo, ele apenas existe.

Nada mais livre do que o aprisionamento de amar, poucos sentimentos nos enobrecem em nossas tolices, em nossos erros e covardias, medo de mostrar a nossa fragilidade .

Aprendi que ele esta presente em tudo, no silencio, no canto, na sensibilidade do vidro e na brutalidade do aço.

Acredito ter esbarrado com ele vez ou outra, em alguns seres talvez, em algumas excentricidades também, o mais intrigante é que eu esbarro por ele em lugares improváveis e em formas totalmente inesperadas.

Não saberia descrevê-lo de outra maneira, as palavras são poucas, e nem de todo mal escolhidas, mas a melhor descoberta é a de ser um tolo amável, um tolo que ama, um tolo que aguarda, um eterno tolo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um drink talvez?

Triste fim esse que se passa, na realidade nunca gostei de fins, meios e recomeços, sou um adepto do tudo ou nada, não tomo ninguém por meio-copos, me embriago do ser.

Enjôo, e logo não tomo, virar o copo vazio a boca não me satisfaz. Poucos duram o sabor do infinito em meus cálices, poucos são interessantes o suficiente.

Me equilibro nas palavras como um malabarista aloprado, rio de mim, de minha loucura, das minhas linhas, de tudo que sou .

Hoje tomo a goles rasos as doses do momento, simplicidade em uma taça, sorrisos em outra taça, assim eu me delicio com elas.

Tomo em doses homeopáticas a raiva, a descrença, o sarcasmo, a insensatez, sabor suave de enjoo.

Nada como ter seu próprio frigobar, decidir quem fica, quem sai, decidir quem eu devo beber, que hora beber, e em que doses eles não me farão secá-los.

Apesar de tudo, ainda existem os vinhos com as suas atratividades, vinhos intermináveis em sabor e essência, essas poucas garrafas eu guardo próximas ao peito, são poucas mais são eternamente saborosas.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Liberdade à vida.

Mais um daqueles dias, minutos transformados em séculos, horas em milênios, e por ai o dia corre.

Não me afugento mais das sombras do passado, agora são meras imagens difusas do que foram. Passado, triste passado.

Encontrei-me nas estradas do futuro, estradas dos sonhadores, dos perdedores e ganhadores, das tantas incertezas.

Não me contento com pouco, sou inteiramente entregue ao exagero, necessito de tudo por completo, gesto por gesto, sorriso por sorriso, essência por essência, literalmente entregue a loucura da existência.

Não posso controlar as vãs filosofias dos pseudo-intelectuais, e nem mesmo as loucuras daqueles que estão entregues a futilidade, como posso discutir com os modos de se viver.

Descobri que nem sempre posso enfiar um pedaço da minha alma goela a baixo de uma boneca vazia, não surtiria efeito, apenas desperdiçaria um pedaço do que sou em algo morto, frio e inerte.

Por tempo demais esperei a resposta de uma estatua, naquela época eu nem ao menos desconfiava que estatuas não vivem através dos sentimentos, são meras imagens esculpidas em pedra dura, mármore insensível, e falta de espírito latente, nada mais aterrador do que se apegar a algo assim.

Esbravejei tempo demais, procurei ansiosamente por algo que eu não conhecia, perdi parte do que eu era, e hoje encontrei o que sou, simples como aprender a andar, como aprender a voar, finalmente a liberdade que eu aguardava, ela está a um passo, só mais um passo, já posso vê-la e senti-la, só mais um.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A leveza de nada acontecer.

Caminhando pelas ruas da cidade percebo todos os lentos movimentos a minha volta, simples caminhada.

Aquela leve chuva martelando em minha mente, tantas escolhas, tantos caminhos, tantos por quês, quase me esqueço de viver o presente, leve chuva essa.

Não posso eu lutar contra o que vivo, meu mundo se baseia em escolhas, tantas para se fazer, tantas para se apegar, tantos caminhos cruzados, como posso eu seguir sem escolher, deixar as vozes ecoarem para fora da mente sem apego algum, não posso lutar.

Agora eu enxergo as cores, aquele mundo cinza já se perdeu em um passado distante, agora só faz parte do remorso, da culpa, e da tristeza, sentimentos inexistentes nessa presença delicada, agora eu enxergo.

Logo ao primeiro toque já experimentei as novas sensações, estranhas sensações, poderia parar um trem nos braços, voar pelo mundo, e aproveitar todos os segundos, poderia não acreditar, nem sentir, nem nada mais, logo ao primeiro.

Volto a me largar em um sofá qualquer, com os pensamentos vagando por onde permitem os inexistentes limites da mente, tudo se resumi a sentir, crer, escolher e ser, não me contento com tão pouco, poderia eu ir além das banalidades de uma efêmera vida? Volto a isso tudo.

Nada menos efêmero do que uma vida...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Devaneios de um jovem perdido.

Gostaria de perder a linha por um momento, derrubar a mascara, servir a mim mesmo, ser o vilão e o mocinho, o diretor e os figurantes, protagonizando o meu drama.

Quando as cortinas se levantam eu ainda estou lá, sentado em minha nobre cadeira, pensando sobre como os astros me ajudariam, astros estes dos céus longínquos.

Não haveria volta para o meu eu – lírico, ele já é considerado teu – lírico, nada que eu possa fazer, gostaria de resgatá-lo talvez, trazê-lo de volta a minha nobre e primogênita inspiração, essa que não dependia de ser algum, existia por existir, aparecia quando dava na telha, tomava-me a mente e me conduzia pelos mundos da criação, hoje não sou mais quem fui, o meu se transformou em teu, a inspiração que não provinha de fonte alguma e de toda fonte, pertence a ti, somente a ti, como esbravejar se tua falsa imagem já toma minha mente, se toma o espaço que era dedicado a todas as causas, como posso eu não me expressar? Ser claro talvez?

Nunca fui detentor de grande eloqüência, falo palavras a esmo, dito regras que não seguiria e conceitos que meu intimo não acredita, sou fraco, acovardado, apalhaçado pela culpa, falta de coragem essa de dizer claramente, explorar os belos momentos, vontade essa que eu sinto de tentar dizer, mais a língua enrola e nada sai, sou um nobre falido, algo como um antigo senhor feudal sem feudo, soldados ou escravos, simples estas palavras, difícil falar, fácil escrever.

Seria você o melhor ou o pior? Eis a pobre questão, existe ainda a tal da esperança, que me cerca e vive soprando aos meus ouvidos “ garoto é tua, como não poderia ser? Une-te a coragem e a enfrente defronte, vai-lhe ter rápido, tome-a pelas mãos e a ame, o brilho é seu, ela já lhe entregou sem dizer, vais garoto, corre pela senda do sentimento e seja feliz”, nunca havia tido uma conversa franca com a esperança, mas hoje ela me encorajou, acredito nela, certos pontos sim, certos pontos não, nem tudo pode ser como planejamos, mas está ai a graça, o surpreendente é a porta que nos ajuda a viver.

Com jeito volto a falar-te do meu amado eu – lírico que jaz prisioneiro em minha mente, imploro-te por um momento, pode solta-lo e transformá-lo em nosso – lírico? A chave esta contigo, nada mais posso fazer, poderia até, mas não o desejo, já lhe entreguei a chave.