sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Poeta.

Levantei-me pela manhã, desci da cama, e o chão havia mudado de cor, as paredes e o teto já não estavam mais ali, podia olhar fixamente para o céu, eles estava marcado por densas nuvens, algumas aves voavam livremente por ele, eu olhava e entendia por um momento a loucura de ser homem. Virei à cabeça e observei as avenidas movimentadas que passavam ao meu lado, toda aquela correria, a pressa de viver intensamente cada minuto.

Lembrei-me então que eternidade está no gotejar da chuva em câmera lenta, cada pingo levemente adocicado, gosto de vida.

Estendi os braços e subi por entre os prédios, tão alto quanto se poderia, por um instante todos os homens ficaram insignificantes, todas as necessidades alarmantes deixadas de lado, só ouvia o som sensível da ordem natural do mundo, a grande mãe natureza regendo o seu maior concerto, alguns humanos desafinando um pedaço e outro e mais outro, mas o concerto não para, nem mesmo por um instante.

Na realidade as paredes existem, ainda estão aqui, a sinfonia da natureza não pode ser ouvida, não posso voar por entre os prédios, sou um mentiroso então?

Talvez não, posso ser apenas um poeta.

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