segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Simples...

Passam as horas, os momentos, os sorrisos e alegrias, os encontros e desencontros, e eu vendo tudo como um observador oculto.

Difícil protagonizar sua própria vida, o eu está preso por entre os dedos quando na realidade tinha de estar correndo pelo campo, coletando as conquistas e as perdas.

Ocultando tudo o que poderíamos ser, ou o que somos verdadeiramente falando, sentindo esvair a nossa dose de individualidade, o poder de não acreditar.

Perdendo todos os traços de personalidade, tornando a ser à sombra de outrem, sentindo por demasiado, falando por medo do silencio, seguindo padrões intermináveis.

Acreditaria até, se houvesse uma nova dose de demonstração, algo real, não a criação de uma mente desvairada que torna de um abraço uma promessa, e de um olhar um infinito, este alguém que não enxerga.

Interminável este rapaz chamado tempo, age por seu bel prazer, não pensa nos afetados por ele, não olha ao lado, não oferece mão amiga, retira sentimento, reconstrói amizades, alimenta esperanças, destrói sonhos.

Enxergando o presente posso dizer realmente todas as disparidades que me vem ao pensamento, não posso anular as palavras ditas, os gestos feitos, e os erros inconseqüentes, não posso repará-los, disfarçá-los ou sumir com eles todos,

Sonhando eu continuo, ocultando as mentiras, acreditando em todas as suas palavras não faladas, interminávelmente eu esperaria por esse momento, enxergaria quem você é por completo, sonho com a oportunidade, todos os dias eu esperarei por isso.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Logo Eu.

Me perdi novamente. Logo agora que eu pensava ter me encontrado, vem o destino, pega-me pelo colarinho me dá uns safanões e me entrega delicadamente a vida.

Eu que pensava ter deixado de lado o pessimismo, as contradições, os desencontros.

Logo eu que imaginava ter sido dobrado pela fala mansa, pelos pequenos gestos, mudado de caçador para caça, ter observado a beleza rústica do humano.

Agora eu que me visto de palavras belas, que me contorço em sorrisos e alegrias,

Eu mesmo, o que procura e não encontra, o que fala mais não age, o que dita mais não cumpre, este que não conhece a coragem,

Vem então novamente o destino a mim e diz “reage rapaz, você foi feito a ferro e fogo, pitada de sarcasmo e vontade interminável de viver”.

Você Pode?

Você consegue ouvir?

Conseguiria enxergar?

Amar irrefreavelmente talvez?

Poderia confiar em alguém?

Doar algo sem nada ganhar?

Fazer de um gesto uma grande atitude?

Sentir na pele a dor do próximo?

Deixar de lado a futilidade?

Repensar os seus atos?

Dedicar seu tempo a outro, por mero prazer?

Conseguiria prestar atenção em alguém?

Iria atrás de algo que você nunca viu?

Acolheria alguém?

Deixaria se levar pelos sons?

Choraria sem motivos aparentes?

Apenas por piedade de todos?

Mudaria drasticamente o que aparentemente é imutável?

Correria sem objetivo?

Arriscaria sua vida em algo inteiramente novo?

Humilhar-se-ia para exaltar alguém?

Salvaria alguém com suas doces palavras?

Deixaria alguém morrer com as mais perversas falas?

Honraria quem não merece diariamente?

Fugiria de algo que realmente quer para satisfazer alguém?

Agora consegue enxergar?

Agora consegue ouvir?

Agora que foi apresentado ao amor, pode amar a tudo como um todo, sem discernir classe, estado de espírito, etnia, condição material, ame com a esperança de um dia ser digno de entender o que é a existência “amor”.

Poeta.

Levantei-me pela manhã, desci da cama, e o chão havia mudado de cor, as paredes e o teto já não estavam mais ali, podia olhar fixamente para o céu, eles estava marcado por densas nuvens, algumas aves voavam livremente por ele, eu olhava e entendia por um momento a loucura de ser homem. Virei à cabeça e observei as avenidas movimentadas que passavam ao meu lado, toda aquela correria, a pressa de viver intensamente cada minuto.

Lembrei-me então que eternidade está no gotejar da chuva em câmera lenta, cada pingo levemente adocicado, gosto de vida.

Estendi os braços e subi por entre os prédios, tão alto quanto se poderia, por um instante todos os homens ficaram insignificantes, todas as necessidades alarmantes deixadas de lado, só ouvia o som sensível da ordem natural do mundo, a grande mãe natureza regendo o seu maior concerto, alguns humanos desafinando um pedaço e outro e mais outro, mas o concerto não para, nem mesmo por um instante.

Na realidade as paredes existem, ainda estão aqui, a sinfonia da natureza não pode ser ouvida, não posso voar por entre os prédios, sou um mentiroso então?

Talvez não, posso ser apenas um poeta.

Medo.

Certos dias se arrastam, intermináveis em seu tempo, por mais que corremos,nunca alcançamos. Tentamos nos livrar de nossos pesadelos, de nosso medos abissais, e tudo que conseguimos é uma fuga desesperada para um lugar totalmente desconhecido.

Nesses dias eu imploro, peço com força, vontade, paixão, e nada acontece, tento enxergar a minha volta ,e nada vejo, apenas a escuridão perpétua e a sensação de solidão que me toma por dentro e por fora, as lagrimas tentam sem sucesso aliviar a dor de minha alma, a respiração ofegante e o cansaço físico tentam compartilhar o que sinto, mas nada podem fazer por alguém perdido, não podem.

No meu tempo nada acontece, nada pode acontecer, nada controlo, nada posso controlar, em minha mente confusa, as imagens passam com velocidade, sentindo-se donas de si mesmas, as crenças vão caindo uma a uma até restar a face verdadeira de algo inacreditável,

Seguindo meu caminho eu esbarro em alguém, ou algo, tudo que me fazia bem, mal me faz, olho para a chuva ao cair, aquele cheiro não me agrada, é terra molhada, aquele gosto indiscutível de naturalidade, vontade de deitar nesta linda grama e sentir esse cheiro pela eternidade,

Não posso, o meu sangue ainda corre quente em minhas veias, o ar ainda perfura meus pulmões , meus dedos ainda correm rápidos por meu objetivo, minha mente ainda acredita no que sou e no que posso ser , alguns braços me levantam, são poucos, mas eles se importam, vejo em seus olhos tristes, piedade por mim talvez? Ou amor verdadeiro.

Levantando e voltando a correr, eu vejo agora, ouço agora, sinto agora, piso onde não pisava por medo, beijo os lábios da verdade, abraço-me a ternura de alguém merecedor, luto, me atiro e venço, sem cortar caminhos, criando os meus caminhos e sendo observado de perto por meu ajudador, ajudando-me a encontrar os caminhos criados por mim, se chegarei , não posso afirmar, que vencerei, só o tempo perpétuo dirá.

Não Mentirei.

Não mentirei para você, a mais densa das florestas começa com apenas uma árvore,

Não mentirei para você, o maior dos mares começa com apenas uma gota d’água,

Não mentirei para você, o mais forte dos sentimentos começa com um gesto,

Não mentirei para você, a mais bela das canções começa por uma nota,

Não mentirei para você, o mais lindo poema começa com apenas uma letra,

Não mentirei para você, a mais verdadeira amizade começa por um cumprimento,

Não mentirei para você, o melhor aprendizado começa por uma fala,

A mais detalhada das mentiras começa por um erro,

A mais incrível teoria começa por uma simples idéia,

A mais escura das noites é aquela onde sua sombra não esta contigo,

O menor sussurro pode ser interpretado como a maior das ofensas,

O bem pode ser pago com o maior dos males,

O mais lindo sorriso pode não ser verdadeiro,

O desdém é um primo próximo do amor,

As incríveis fornalhas dos sonhos começam por uma pequena brasa,

Nem tudo que parece importante realmente importa,

Mas um só lírio não ilumina todo um jardim,

Nem sempre corremos para o lado certo,

Muitas vezes acertamos nos erros e erramos nos acertos,

Mas com um pouco de compaixão e amor, mudamos o mundo,

Mas se não encontrarmos os sentimentos viveremos como fantoches,

Nada pode substituir nada porque todas as coisas são únicas,

Mas podemos acordar sem esperança e dormirmos motivados por ela,

Nem tudo está ao nosso alcance,

A maior fortaleza pode na realidade ser feita de papel,

Não posso mentir, chamam-me de verdade...

Não Poderia.


Nada pode nos separar daquilo que se tornou inesquecível , nem mesmo o tempo.

Não podemos ser amados, se não olhamos ao redor nem mesmo por um instante.

Com o passar dos anos percebemos por onde nossos passos nos levaram, nem mesmo que seja no fim,

Andamos por estradas que julgamos serem infinitas, nem mesmo que não tenham mais que poucos quilômetros.

Fugimos de nós mesmos e nos escondemos de tudo, nem mesmo que o mais lindo sentimento brote em nossos corações.

Quando tudo está longe de acabar não encaramos os problemas, nem mesmo que isso possa nos arruinar.

Flutuamos por ondas impensáveis, viajando por mares calmos, nem mesmo que isso custe nossos sonhos.

Terminamos com tudo o que temos medo, fechamos a mente para o novo, nem mesmo que isso custe a nossa liberdade.

Julgamos irrefreavelmente, sentimos por todos, nem mesmo que todas as palavras terminem.

Que o vento do leste nos leve para longe, nos tire do sofrimento vivido, nem mesmo que isso custe o sabor agradável da vida.

Todos os desejos devem ser conquistados sem medição de esforços, nem mesmo que isso seja impossível.

Posso ver o futuro dentro de seus olhos, eles me dizem o que devo fazer, nem mesmo que isso me custe o impensável.

Ouço o som de sua voz em minha alma, todas as palavras não faladas estão ali, ouvirei, nem mesmo que me custe o interminável.

Sinto o contato com sua pele, o sabor único do seu ser me eleva, farei de tudo para o tudo ser eterno, nem mesmo que me custe o infinito.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Encontro marcado.


Certo dia andava por uma dessas ruas da cidade, era uma noite deliciosa, cheiro de suavidade no ar, simplicidade de alma. Andava envolvido em meus pensamentos, embolado em teorias, de como ser e por que ser, não prestava atenção aos passos que me acompanhavam, sentia apenas a bela noite e meus pensamentos. Virei em uma viela ,repleta de arvores em suas calçadas, não podia deixar de reparar no vento que me conduzia, ele também conduzia a imobilidade dessas arvores, eu sabia disso, nasci sabendo.

Sentindo o perfume continuei pelo caminho, surpreso por onde meus pés me levavam, virei novamente e me deparei com uma praça, essas com grandes arvores e alguns bancos de cimento, o lugar era puramente contrastante, um lindo lugar em meio ao meu pérfido mundo, a força das raízes quebraram parte do concreto da praça, aquilo intrigava-me eu não sabia o porque.

O mais surpreendente desta noite ainda estaria por vir; sentei em um daqueles bancos gelados pela falta de vida de si, então abaixei minha cabeça e voltei meus pensamentos novamente para a vida, não apenas a minha vida, mas a vida do mundo todo, os sentidos, os sentimentos, os humanismos, os grandes e pequenos humanismos, dei um apelido carinhoso para os erros e acertos de nossa humanidade, ambos representam o que chamo de humanismo, fiquei neste estado semi-meditativo por uns instantes, mas algo repentino me acordou do transe, o culpado por isso era o toque de uma mão humana em meu ombro. Rapidamente levantei a minha cabeça e me deparei com a bizarrice mais bizarra de todas, quem estava a minha frente era nada mais nada menos do que a minha pessoa, em carne, osso, e espírito, a diferença eram as roupas, só, apenas isso. Quando me deparei com aquela imagem, tive duas reações totalmente opostas, no primeiro momento meu corpo foi tomado pelo choque daquela imagem, e no instante seguinte a conformidade tomou conta do meu ser, era como se eu soubesse deste encontro, lembrava um encontro entre amigos, algo combinado antecipadamente.

Eu me cumprimentei com um olá, apesar de conformado ainda assim soou vago, o meu outro eu respondeu com um olá acalorado, este olá despertou minha curiosidade, nos olhos do outro, existia um brilho que faiscava minha alma.

Ele se sentou no chão ao lado do banco e de costas para uma árvore, fez com a mão um pequeno gesto, que significava um convite para sentar ao seu lado, levantei e fui até o seu lado, sentei , estiquei as pernas para frente às cruzei e apoiei minhas mãos ao chão e me preparei para a conversa que viria a seguir, o que será que eu tinha para falar pra mim?

Ele então começou a falar com a minha suave voz, eu sei o que te aflige, sei o porquê das suas perguntas, e o que mais nos interessa; tenho resposta para varias de suas questões, peço que feche os olhos comigo, e sinta o mundo ao seu redor, só por um instante.

Por um momento fechei os olhos, senti novamente o vento noturno em meu rosto, e não senti mais nada, impaciente como sou, abri os olhos e lancei mão de uma pergunta para mim, o que eu deveria sentir, ele então virou para mim e disse, não esperava que fosse entender logo de cara, deixe te explicar, fechamos os olhos e já respondemos a uma pergunta, sem nem ao menos perceber, sentimos o vento em nossas faces, isso significa que estamos vivos, você está vivo, encontramos então a resposta para a tantas outras questões, se estamos vivos, todas as soluções do mundo dançam a nossa frente, basta enxergá-las, estamos vivos.

Em toda a nossa vida procuramos em que acreditar e por que acreditar, o que seguir , o que é verdade, e o que deixa de ser, esquecemos o mais importante, a beleza da vida em si, como seremos vazios se deixarmos de enxergar as belezas de uma vida, ele deu uma pequena pausa, deu um sorriso de canto de boca, e continuou, vê está árvore a nossa frente? Os unicamente racionais enxergam ali apenas uma espécie de árvore, simples assim, para um poeta está mesma árvore tem uma infinidade de significados, um apenas olha para vida de forma mecânica, o outro enxerga a vida como algo sublime, ama a vida e deseja vive-la como deve ser. Tentei por um momento gravar todas aquelas palavras em minha mente, mas como poderia? Elas já estavam marcadas em minha alma, você nunca, jamais, esquece uma conversa consigo mesmo.

Ele percebendo o quanto aquelas palavras me agradaram, continuou falando então, se eu que sou você entendo o quão simples a vida é, você obviamente também entenderá, não existem ingredientes secretos para se viver, tudo é claro como o dançar das ondas, diria que a essência da simplicidade seja realmente a vida, se pararmos um instante entenderemos o mundo, não existem barreiras que não possam ser puladas, essas barreiras nos tornam homens, homens reais e não os príncipes de contos de fadas, eles não existem.

Apesar de tudo os valores mais nobres estão em atos como segurar uma mão, apoiar com palavras, aliar-se ao olhar, amar sem racionalidade envolvida, segurar, agarrar, até mesmo gritar quando necessário, e tudo isso faz parte da mais nobre arte, a simplicidade.

Poderia entrar noite adentro falando sobre o mundo, e sobre como nós o vemos, mas não posso, seu tempo é curto e não posso lhe segurar aqui, sua vida esta passando agora mesmo, diante de seus olhos, agarre-se a cada instante, e aproveite cada minuto com sabor de uma eternidade, não duvide, apenas faça.

Terminando estas palavras nós dois nos levantamos, olhamos um para o outro, dei a mão para ele em sinal de despedida, ele sorriu para mim, bateu em meu ombro e saiu caminhando pela praça até chegar à rua, em um instante mais já não estava ali, eu apenas sorri em retribuição, voltei para minha viela com árvores, e por um instante acordei e percebi, estava vivo, apenas vivo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Existência.


Olá

Gostaria de apresentar-me a você, mas não posso, não insista; se tanto quer, irei-lhe dizer.

Sou simplório como uma folha, em apenas uma folha jaz tudo que o sou, e tudo o que poderei ser,

Essa simplicidade está descrita em minha caminhada.

Não sou incrível, pois nunca saltei de um penhasco apenas pra sentir a brisa em minha face, mas o vento da liberdade tem o mesmo gosto.

Nunca deixei levar-me pelas ondas, e nem por isso não conheço o frescor da água.

Não criei nenhuma teoria incrível, que pudesse mudar o rumo da humanidade, mas nem por isso não conheço o caminho para onde vamos.

Nunca fui engraçado como um humorista, ou belo como um Adônis, mas sei fazer brotar o mais sincero sorriso, e o mais brutal dos sentimentos.

Andei por ruas e lembrei, nunca conquistei nações, não cheguei ao ápice do poder, e o incrível; nunca desejei isso.

Percebi que não canto como os anjos, e não escrevo como o destino, mas arrisco os dois sem medo de errar,

Não recebo o que desejo em todos os meus pedidos, mas não deixo de pedir, que graça teria se ganhasse tudo que desejo? O futuro se tornaria areia ao vento, sem objetivo algum,

Agora reconhece o que eu represento? Sou o nada, o tudo, o passado, o presente, o futuro, o instante, e a eternidade,

sou a extensão de mil vozes, sou algo como o sol nascente, o inverno incessante, a calmaria das águas, a profundidade dos abismos, o pico dos montes, sou todas as sensações, todos os sabores, os odores, os sentimentos,

tudo está em mim e estou em tudo, estou presente no vazio, talvez agora me conheça? Sou simples, complexo, diferente, e igual a tudo,

sou a paixão, o amor na sua forma pura, para alguns estou em cada um desses lugares, ainda para outros estou no vibrar das cordas do instrumento.